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Cristiane user

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26 de December de 2025

Como PMEs ao Redor do Mundo Se Preparam para Fechar o Ano, e o que ainda falta no Brasil

O final do ano costuma trazer balanços, comparações e reflexões. Para muitas pequenas e médias empresas (PMEs), 2024 foi menos […]

10–15 minutes

O final do ano costuma trazer balanços, comparações e reflexões. Para muitas pequenas e médias empresas (PMEs), 2024 foi menos sobre crescer e mais sobre resistir frente a prazos longos de ecebimento, custos elevados e baixa previsibilidade econômica. Ainda assim, esse período é crucial para avaliar a saúde financeira do negócio e se preparar para o próximo ciclo. Em diversos países, PMEs adotam práticas importantes nessa reta final que ajudam a iniciar o novo ano com o pé direito. E não por acaso: estima-se que 90% das falhas de pequenas empresas estejam ligadas a problemas financeiros (como gestão de caixa deficiente). Neste artigo, exploramos como as PMEs ao redor do mundo se preparam para fechar o ano e refletimos sobre o que ainda falta no Brasil para fortalecer a sustentabilidade financeira dos negócios.

Práticas Globais de Fechamento Financeiro Anual

Independente do país, existem boas práticas universais que ajudam a empresa a encerrar o ano fiscal de forma organizada e segura. Estas ações preparam o terreno para um início de ano mais tranquilo financeiramente. Confira alguns passos essenciais que PMEs do mundo todo adotam no fim do ano:

  • Revisão completa das finanças: Faça um balanço financeiro anual, conferindo demonstrativos como balanço patrimonial, DRE (demonstração de resultados) e fluxo de caixa. Verifique se todos os lançamentos estão corretos e atualizados. Essa revisão permite identificar divergências e entender a real situação de lucro ou prejuízo do negócio no ano que se encerra.

  • Análise de receitas, despesas e estoques: Identifique onde houve desvios significativos de orçamento. Quais áreas tiveram custos acima do previsto? Quais produtos ou serviços foram menos rentáveis? Ao mesmo tempo, gerencie os estoques de forma eficiente, evitando excessos que imobilizam capital e geram custos de armazenamento. Desfaça-se de itens encalhados com promoções de fim de ano, se possível, para reforçar o caixa.

  • Quitação de pendências e conciliações: Aproveite dezembro para conciliar contas a receber e a pagar. Cobrar clientes inadimplentes e negociar prazos com fornecedores pode melhorar seu fluxo de caixa imediato. Honre os compromissos de curto prazo, pagar fornecedores, funcionários (13º salário, férias) e impostos de fim de ano em dia é uma vitória silenciosa que mantém a credibilidade do negócio. Se houver dívidas em atraso, busque renegociar condições agora, antes que os juros e multas se acumulem no próximo ano.

  • Planejamento de obrigações do início do ano: Lembre-se de que o início do ano traz despesas sazonais concentradas. No Brasil, por exemplo, entre janeiro e março vencem obrigações como DAS (Simples Nacional), IRPJ, IPTU, IPVA e outros tributos, além de reajustes anuais de contratos. Vendas menores após dezembro, combinadas a custos extras, podem abrir uma perigosa tesoura entre receitas e despesas no começo do ano. Para não ser pego de surpresa, provisione caixa agora para esses pagamentos e considere antecipar tributos quando possível (por exemplo, juntando 13º e férias dos funcionários na folha de dezembro).

  • Projeção do fluxo de caixa futuro: Trate dezembro como um mês de diagnóstico e planejamento do que vem a seguir, não apenas como encerramento passivo do ano fiscal. Analise seu fluxo de caixa dos últimos 12 meses e projete os próximos meses do novo ano, identificando períodos de possível aperto. Se seu caixa tende a ficar negativo no primeiro trimestre (o que ocorre com 41% das PMEs brasileiras ), já defina prioridades de pagamento e cortes para atravessar o período. Quem espera janeiro para agir já perdeu tempo, como alerta a especialista Patrícia Bastazini: “Dezembro não é fechamento; é diagnóstico… Quem espera janeiro já perdeu tempo”. Antecipe decisões em vez de reagir de última hora.

  • Ajustes finais e lições aprendidas: Feito todo o balanço, documente as lições deste ano. Houve falta de capital de giro em algum mês? Algum investimento teve retorno abaixo do esperado? Registre esses pontos para ajustar seu planejamento do ano seguinte. Defina metas claras para 2025 (por exemplo, reduzir custos em 10%, aumentar a margem em 5%, ou criar reserva de emergência de X reais) e monte um orçamento alinhado a esses objetivos. Essa clareza de metas e números vai orientar decisões mais conscientes no próximo ciclo.

DICA: Não deixe todas essas tarefas para a última semana do ano. Crie um cronograma ao longo de novembro e dezembro para ir fechando relatórios, conversando com seu contador e resolvendo pendências gradualmente. Assim, você evita sacrificar seu tempo nas festas e chega em janeiro com tudo sob controle.

Boas Práticas em Países com PMEs Financeiramente Saudáveis

Alguns países são conhecidos por terem ambientes onde as pequenas empresas prosperam com mais estabilidade financeira. O que empreendedores nesses locais fazem de diferente? Em geral, as PMEs bem-sucedidas adotam práticas de gestão financeira proativa que fortalecem sua saúde econômica. Vejamos algumas lições globais, inspiradas em exemplos dos Estados Unidos e de outras nações, que podem ser aplicadas em qualquer lugar:

  1. Planejamento financeiro estratégico: Empresas de pequeno porte nos EUA tendem a estabelecer metas financeiras claras, desenvolver orçamentos realistas e acompanhar de perto seu desempenho ao longo do ano. Esse planejamento estratégico permite antecipar desafios, identificar oportunidades de investimento e tomar decisões informadas, em vez de apagar incêndios. Não se trata apenas de prever faturamento e despesas, mas de criar cenários e planos de ação caso as coisas saiam diferente do esperado.

  2. Contabilidade rigorosa e transparente: Manter as contas em dia é prioridade. PMEs em países financeiramente saudáveis investem em sistemas contábeis robustos (muitas vezes, softwares de gestão ou ERPs) e registros precisos de todas as transações. Essa abordagem garante visibilidade real da situação financeira. Transparência também significa separar as finanças pessoais das da empresa e cumprir obrigações fiscais corretamente. Em locais como o Reino Unido, por exemplo, a grande maioria das pequenas empresas utiliza serviços de contadores profissionais para revisar suas demonstrações e assegurar compliance, evitando multas e surpresas no fechamento anual.

  3. Acesso a capital e financiamento adequado: Nos Estados Unidos e em diversos países da Europa, as PMEs costumam diversificar suas fontes de financiamento. Além de linhas de crédito bancário, é comum recorrer a investidores-anjo, capital de risco, plataformas de crowdfunding ou antecipação de recebíveis quando precisam de capital imediato. Ter opções de financiamento concorrentes permite conseguir taxas melhores e não ficar na dependência de um único banco. Mais importante: empresas saudáveis buscam financiamento na medida certa, alinhado à sua capacidade de pagamento e planos de crescimento, evitando tanto a falta quanto o excesso de endividamento.

  4. Gestão proativa do fluxo de caixa: Monitorar o fluxo de caixa regularmente é prática padrão. PMEs bem geridas acompanham de perto as entradas e saídas de dinheiro, muitas fazem projeções mensais ou semanais de fluxo de caixa. Assim, conseguem prevenir problemas de liquidez e tomar medidas corretivas rapidamente, seja negociando prazos, cortando custos ou buscando capital de giro emergencial. Uma gestão de caixa eficaz é considerada essencial para evitar crises; afinal, até negócios lucrativos podem quebrar se faltarem recursos para honrar pagamentos no curto prazo.

  5. Adoção de tecnologia financeira (Fintech): Em mercados desenvolvidos, há alta taxa de digitalização financeira entre as PMEs. Ferramentas inovadoras como softwares de controle financeiro em nuvem, aplicativos mobile de gestão, plataformas de emissão de nota fiscal e controle de vendas integradas, simplificam a gestão financeira e dão acesso a informações em tempo real. Por exemplo, é comum pequenas empresas utilizarem aplicativos de dashboard financeiro que mostram diariamente indicadores-chave (saldos, vendas do dia, contas a pagar/receber etc.). Essa agilidade tecnológica permite correções de rota imediatas e economiza tempo da equipe financeira.

  6. Capacitação e aconselhamento especializado: Outro diferencial é a busca por conhecimento e apoio externo. Mesmo em países ricos, muitos donos de pequenos negócios não são formados em finanças; a diferença é que eles ativamente procuram treinamentos, mentores ou consultores para orientá-los. Nos EUA, por exemplo, estudos mostram que aproximadamente 82% dos proprietários de pequenas empresas têm dificuldade em gerenciar o planejamento financeiro por falta de habilidades adequadas de fluxo de caixa. Por isso, é comum recorrerem a consultores ou programas de orientação. Um aconselhamento financeiro profissional pode adicionar de 1,5% a 4% aos retornos de longo prazo do negócio, segundo estimativas do setor. Ou seja, investir em educação financeira do empreendedor e da equipe, ou contar com ajuda de especialistas, reflete em ganhos concretos de performance.

O que ainda falta no Brasil? Principais lacunas a superar

Se por um lado muitas empresas brasileiras vêm evoluindo em gestão, por outro ainda enfrentamos desafios culturais e estruturais que dificultam a vida financeira das PMEs no fechamento de ano. Quais são as principais lacunas que nos separam dos cenários mais saudáveis observados lá fora? A seguir, destacamos alguns pontos críticos em que o Brasil ainda precisa avançar:

  • Cultura de planejamento de curto prazo: Em geral, nossos empreendedores ainda planejam pouco e com visão de curto alcance. Um estudo do Sebrae revelou que 17% dos donos de negócios não fizeram nenhum planejamento ao abrir a empresa, e 59% planejaram para no máximo 6 meses. Isso significa que mais de três quartos iniciaram suas empresas sem um plano de longo prazo robusto. Essa falta de hábito de planejar continua se refletindo no dia a dia: muitas PMEs operam “no mês a mês”, sem orçamento anual nem metas financeiras claras. Com isso, perdem a chance de antecipar os altos e baixos do mercado ou de se preparar para despesas sazonais (como as do início de ano).

  • Baixa formação de reserva de emergência: A fragilidade do capital de giro é outro ponto. Sete em cada dez PMEs brasileiras não têm reserva de caixa suficiente para três meses de custos fixos. O resultado é que 41% já começam o primeiro trimestre no vermelho, com caixa negativo. Essa ausência de folga financeira torna as empresas extremamente vulneráveis a qualquer queda de receita ou atraso de pagamento por parte de clientes. Em países com PMEs mais resilientes, é comum recomendar uma reserva de emergência (cash buffer), mesmo nos EUA, onde a cultura de reserva também é um desafio, o negócio típico mantém cerca de 27 dias de despesas em caixa como mediana. No Brasil, muitas vezes esse colchão sequer existe, e o empresário acaba recorrendo a empréstimos de última hora (geralmente caros) para cobrir despesas básicas.

  • Dificuldade de acesso a crédito sustentável: Outra diferença é que nossas pequenas empresas têm mais barreiras para obter financiamento adequado. Quase metade das PMEs latino-americanas (incluindo Brasil) relatam falta de acesso a crédito formal em condições razoáveis  Apesar de programas públicos e do sistema bancário robusto, na prática o crédito para o pequeno negócio aqui costuma ser caro, burocrático ou insuficiente. Sem crédito, a empresa não consegue se capitalizar para atravessar períodos difíceis ou investir em melhorias. Isso contribui para o aperto de início de ano: muitas chegam a janeiro sem fôlego financeiro e não encontram socorro rápido. Em contrapartida, países desenvolvidos oferecem linhas específicas para micro e pequenas empresas com juros menores, além de um ecossistema mais desenvolvido de investidores e alternativas (fomento, cooperativas de crédito, fintechs de empréstimo etc.). É nesse ponto que o Seu Ativo se posiciona: ampliando o acesso à informação financeira e criando caminhos mais claros e democráticos para a liquidez das PMEs.

  • Deficiências em educação financeira e gestão: Grande parte dos empreendedores brasileiros começa um negócio por necessidade ou oportunidade, mas sem preparo gerencial ou financeiro formal. Apenas 16% dos brasileiros afirmam ter recebido educação financeira na escola ou faculdade, e a maioria (55%) admite entender pouco ou nada de finanças pessoais, o que acaba se refletindo na gestão empresarial. Conceitos como fluxo de caixa, análise de demonstrativos, precificação baseada em margem, planejamento tributário, etc., muitas vezes são aprendidos na marra. Iniciativas de treinamento existem (Sebrae, cursos, mentoria), porém a adesão ainda é baixa. Sem essa base de conhecimento, o empresário pode não enxergar a importância de ações preventivas no fim do ano ou não saber por onde começar. Ele também tende a depender totalmente do contador apenas para cumprir obrigações legais, em vez de usar a contabilidade como ferramenta estratégica de gestão. Avançar na capacitação financeira dos donos de PME é essencial para mudar esse quadro ao longo do tempo.

  • Menor adoção de ferramentas e controles modernos: Por fim, observa-se que muitas PMEs brasileiras ainda não utilizam a tecnologia a favor da gestão financeira. Seja por custo, desconhecimento ou acomodação, inúmeras empresas fazem seu controle em planilhas básicas (ou nem isso), não acompanhando indicadores em tempo real. Pesquisa da Intuit mostrou que 61% dos donos de negócios decidem suas estratégias apenas depois que problemas já afetaram o caixa , em vez de monitorar continuamente. Essa falta de digitalização e monitoramento impede uma reação ágil. Em contrapartida, PMEs em mercados avançados dispõem de dashboards automáticos, notificações de fluxo de caixa, conciliações bancárias automáticas, etc., que simplificam o fechamento de ano. No Brasil, a tendência de digitalização está crescendo (com o advento de fintechs, PIX, ERPs na nuvem), mas ainda falta difusão mais ampla dessas soluções principalmente entre os micro e pequenos negócios tradicionais.

Por fim, comemore as pequenas vitórias deste ano. Manter a empresa de pé em um cenário difícil, honrar seus compromissos mesmo sob pressão e ganhar mais consciência sobre o seu caixa já são conquistas importantes, como destacamos recentemente no LinkedIn. Nem toda vitória aparece no faturamento: muitas aparecem na capacidade de seguir em frente, ajustar rotas e aprender . Use essas conquistas como alicerce para decisões mais conscientes no próximo ciclo. Com planejamento, disciplina e aprendizado contínuo, 2025 pode ser um ano de retomada e crescimento para sua PME. Mãos à obra já no planejamento de fim de ano – seu “eu futuro” agradece!

Boas festas e sucesso financeiro no novo ano!

Referências Bibliográficas e Dados Citados:

  • Bastazini, P. (2025). Efeito-tesoura pressiona caixa das PMEs no início de 2026. CartaCapital – Do Micro ao Macro. Dados Sebrae/CNC sobre caixa das PMEs; dicas de planejamento de fim de ano.

  • Sebrae PB (2023). Dicas do Sebrae para organizar a gestão financeira no fim de ano. Orientações sobre revisão de registros e planejamento do próximo ano.

  • Camargo, T. M. (2024). A Importância da Gestão Financeira para PMEs – lições dos EUA. Revista FT, 28(131). Estatísticas de falência por problemas financeiros; dificuldade de gestão de caixa entre empresários; melhores práticas de PMEs americanas (planejamento, contabilidade, capital, fluxo de caixa, tecnologia); impacto de consultoria nos retornos.

  • JPMorgan Chase Institute (2020). Small Business Cash Liquidity in 25 Metro Areas. Mediana de dias de caixa em reserva (EUA).

  • Observatório Febraban – IPESPE (2025). Pesquisa de Educação Financeira. Nível de entendimento de educação financeira entre brasileiros.

  • Sebrae (2023). Taxa de Sobrevivência das Empresas no Brasil. Dados de planejamento insuficiente entre novos negócios (17% não planejaram; 59% planejaram <6 meses).

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